quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Minha dor é mito

Este poema foi escrito nos anos 80, não me lembro a data real.Mas é um poema que amo, ele é cheio de singeleza, meiguice e retrata uma doçura incrível.Na imagem, o retrato de Ícaro.


Minha dor é mito...

Anjos Solenes
 Voavam sobre mim
E como crianças,
De canções ao ceu,
Brincavam festivas
Com suas auréolas douradas.

Meu ser caído,
Numa terra desconhecida
Desalentado,
Numa solidão esquecida
...gemia de dor!

Anjos solenes brincavam
Com lenços de cetim,
Enxugavam minhas lágrimas
Que caíam ao pó,
...em som de clarins.

Lá vinham,
Cantando como crianças,
Querubíns de seis asas.
Traziam harpas e cristais
E me ninavam,
Com suas canções celestiais.

E outros anjos,
Com asas alvas, carmim
Jogavam em meu corpo,
Pólem...um perfume jasmim.

Um sorriso então,
Despontou em meus lábios.
Tal qual criança perdida,
Vi-me na luz.

E todos querubins
Com outros  anjos em volta,
Seguraram minha mão e
Com azeite perfumado
Curaram minhas feridas
Feitas pelo tempo e a vida.

Anjos solenes,
Que cantavam e brincavam
Eram crianças, eram anjos
E traziam em cálices de ouros
Água de prata e sede.

A sede da paz
Simbolizada por uma era,
Era de branco,
Cor de asas.

Anjos que brincavam,
Querubins cantavam
Como doces pequeninos,
Fizeram me puro
Envolto em plenitudes.


Elder Poltronieri
do livro TRAPOS E BANDEIRAS-poesia















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